quinta-feira, 27 de maio de 2010

Saudade


Manhã, tarde. Noturno, as horas passeiam frente aos meus olhos, meu pensamento é estático. Meu corpo é máquina, está agindo, mas meu coração teimosamente insiste em bater e minha mente para o conforto, ainda que pouco, de minha alma só sabe pensar em você.
Estou frustrado comigo mesmo, triste por ser imperfeito, impotente.
As gotas caem fervorosamente em minhas costas, a janela denuncia a madrugada, começo a escutar minha própria voz. Já não sinto o cansaço que havia em minha pernas, não sinto a dor que martelava minha cabeça, minhas mãos que tocavam minha cabeça já não existiam, o chão gelado não dava nenhuma sensação sob minhas pernas quentes.

Estou vivo? Meu coração bate ainda? Sim, bate ardentemente, só consigo sentir alguma coisa aqui, cada batida fazia o sangue correr corroendo como ácido, ardendo, flamejando meu peito. Caindo em mim, percebo que tudo isso se chama: Saudades. Então saliva, suor e água se misturavam as lágrimas.
...........

Fecho os olhos. Vejo meu corpo nu abaixo do teto branco, meu corpo quente era tão gélido naquele instante, mas eu não sentia frio, o cobertor ali perto e eu sem forças. As únicas forças que sobravam dentro de mim eram usadas pela minha alma, que gritava seu nome incessantemente, meus olhos fazem um ultimo movimento, então enxergo a marca deixada por você em meu corpo. Estou cansado. Eu quero você. Onde está você? Por fim, minha alma, em seu ultimo instante, usa a ultima gota de força, e em desespero solta um urro, na esperança que você pudesse ouvir: EU TE AMO. Adormeço.